Após críticas, participante do Masterchef emociona ao contar o porquê de usar sempre a mesma roupa

Nem mesmo participar de um reality show é o suficiente para afastar as más críticas de nós, muito pelo contrário. É aí que a pessoa se torna pública e ‘merecedora’ de tais comentários. Afinal, está na TV, é para ser falado, correto? Errado.

Caroline Martins é um nome que talvez você não conhecerá, a não ser que assista o programa Masterchef Brasil, da Rede Bandeirantes. Pesquisadora do Instituto tecnológico da Aeronáutica (ITA), a participante foi alvo de diversas críticas pelo Twitter do público que assiste ao programa de TV.

Durante as terças – dia em que o programa é apresentado -, os comentários sobre Caroline são recorrentes e o motivo é sempre o mesmo: Suas roupas. De acordo com os internautas, a moça está sempre com as mesmas roupas, que são um vestido azul e um par de botas.

Após ver a repercussão de seu look nas redes sociais, Caroline contou que há uma “ideologia” em suas roupas e na repetição dela. Abriu o jogo também sobre a sociedade e como sofre com a ansiedade. Confira o relato completo da participante abaixo, na íntegra:

“Jovens, estou recebendo várias menções no Twitter sobre sempre usar as mesmas roupas, e acho legal compartilhar com vocês a ideologia por trás disso, pois este estilo de vida vai muito mais além das minhas vestimentas.

Com uma infância/adolescência um tanto quanto clichê, a TV sempre teve grande influência na minha formação sociológica. Cresci acreditando que a sociedade só me aceitaria se eu estivesse dentro do “peso ideal”, se eu estivesse com os cabelos lindos e sedosos, e também acreditava que só seria aceita se estivesse bem vestida e bem calçada.

Assim foi ditado, também, os meus 20 anos. Chapinha nos cabelos toda manhã para ir a faculdade. Maquiagem para esconder as olheiras. Unhas pintadas e cutículas aparadas. Dieta 24 horas por dia. E as roupas? Sapatos? Mesmo vivendo com pouco durante a faculdade, sempre achava uma forma de comprar roupas novas a cada visita ao shopping. Cartão Marisa: check! Cartão C&A: check! Cartão Renner: check! Inúmeros carnês de lojas populares, típicas de centrão de cidade do interior.

Durante o mestrado, ganhando um pouquinho a mais, dá-lhe quimica nos cabelos para alisa-los, dá-lhe dietas, dá-lhe liquidação de lojas populares. Afinal, pra quê apenas 1 casaco se podemos comprar 7 casacos, e dividir tudo em 10 parcelas, para aproveitar aquele frio entorpecente do inverno em Rio Claro (mínima 30 graus)?!

No doutorado mudei para uma cidade maior, amigos diferentes, ambiente diferente, pagamento maior, e como acreditava que o meu valor era ditado pela minha aparência: dá-lhe mega hair nos cabelos, dá-lhe mais dietas, dá-lhe Carmem Steffens, dá-lhe Mr. Office, dá-lhe Zara. Cartão de crédito sempre estourado. Sempre sem dinheiro. Viagem com os amigos? Não posso.

Dinheiro para um bom vinho? Não tenho. Tickets para assistir show das minha bandas favoritas? Não posso comprar. Dinheiro para comer em um bom restaurante? Não tenho.

O que eu tinha? Muitas roupas, muitos calçados, cintura 36, cabelos longos e sedosos, maquiagem top pra rebocar meu rosto e, claro, não pode faltar, creme anti rugas. Pois onde já se viu a mulher com quase 30 anos não usando creme anti idade?!

Aos 27 anos me preparava para iniciar um pós doutorado nos Estados Unidos. Tinha tudo para estar em êxtase. Porém, a idéia de inciar uma nova fase em outro país estava me causando mais ansiedade do que felicidade. E se não gostarem de mim?

Será que estou muito gorda? Será que a minha pele está manchada? Será que meu mega hair está hidratado? Como vou levar tantas roupa/sapato se o limite de peso da mala é 32 kilos? Será que as minhas roupas e calçados estão ultrapassados? Brega? Fora de moda?

Até que me dei conta: por que diabos estas perguntas estão brotando na minha cabeça neste momento? Por que estou tão focada na minha aparência, ao invés de estar focada nesta oportunidade estupenda de se viver em outro país, conhecer outra cultura, visitar novos lugares e trabalhar ao lado de feras da minha área?

Neste vortex de ansiedade e conflito, resolvi fazer o seguinte experimento: eu me mudaria para Austin levando uma mala com apenas 6 trocas de roupa e 2 pares de calçados. Eu passaria seis meses com “apenas” estas coisas. A minha mãe achou que eu estivesse ficando louca. E eu realmente estava. Louca e cansada de carregar tanta bagagem, tantas opções de vestimenta, e mesmo assim tanta insegurança sobre a opnião das pessoas ao meu respeito.

Nas primeiras semanas de trabalho eu ficava com medo das pessoas notarem que eu sempre usava as mesmas roupas. Na portaria do meu dormitório tinha medo até mesmo do porteiro notar. Sabe o que aconteceu? Ninguém notou. Em seis meses ninguém reparou as repetições das minha roupas ou dos sapatos. Ou se notaram, não verbalizaram.

Depois de 6 meses percebi que todas as minha neuras não mais faziam sentido. Percebi que as pessoas que gostaria que ficassem ao meu lado, não se baseariam apenas no que visto e no que calço. Se baseariam em suas afinidades para comigo.

Pela primeira vez experimentei a sensação de liberdade. Liberdade pois sei que carregava comigo somente o necessario, nada de excessos. Liberdade pois talvez eu não seja delimitada apenas pela minha aparência. Liberdade pois agora, finalmente, tinha dinheiro e limite no cartão para fazer tudo que realmente gosto.

Após estes seis meses, fui me libertando de coisas que achava essenciais: não preciso hidratar os cabelos 1 vez por mês; Não preciso remover cutículas toda semana; Não preciso usar salto alto no meu trabalho. Não preciso nem ao menos rebocar meu rosto para ir trabalhar. E por ai vai…

Quando voltei ao Brasil mantive a mesma ideologia: 6 trocas de roupa, 2 pares de calçado, apenas o básico. Somente o que me faz feliz. Este estilo de vida minimalista esta me trazendo muita alegria. Poderia dizer que esta me trazendo até mesmo paz.

Hoje em dia posso utilizar meu dinheiro de forma mais proveitosa. Churrasco para amigos e familiares. Viagens com meu marido. Deliciosas garrafas de Cote du Rhone. Tudo que sempre quis fazer, porém estava muito ocupada gastando o meu dinheiro no shopping procurando pelo “look perfeito”.

Me desprender do consumismo excessivo foi uma das minhas melhores decisões. Então, coleguinhas que me perguntam, a resposta é: Sim! Só tenho estas roupas! E, Sim! Só tenho duas botinhas! Com muito orgulho!”

O que acha do relato da participante? Torce por ela? Conta pra gente!

Fonte: bestofweb

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40 Comentários

  1. Nossa que história emocionante, quase chorei.. muito triste isso mesmo, torrar a grana com roupas de marca e cabeleireiros e maquiagens.. depois ir pros EUA pra perceber que não era isso que satisfazia ela de verdade.. que triste gente, que triste…

  2. Caramba, que lição !

    Nunca vi esse programa, não conheço essa moça ,mas, virei fã dela !
    Que maturidade, inteligência e bom senso !

    Que texto profundo, que coloca em cheque a ideia impetrada pelo capitalismo que precisamos de um amontoado de coisas (roupas, sapatos etc, etc ,e tal) para viver bem.

    Compartilho dessa ideia e também no gosto de muitos objetos materiais. Sempre , achei que a vida é curta demais para nos preocuparmos com guarda roupa cheio, casa cheia de moveis ou bobagens que você nunca utiliza ….. e não aproveitarmos o que realmente vale a pena.

  3. Que bom que ela se encontrou. De fato, a sociedade cobra muito!!!!! Os valores são trocados e muitos se deixam dominar pela cobrança dos outros e acabam se frustrando ! Em meu caso, amo me arrumar, amo usar cremes, em casa estou sempreeeeee de pele hidratada, cabelos ” arrumados”, batonzinho…. mas porque eu me amo assim, faço por mim…. não conseguiria ter apenas 6 trocas de roupas e 2 pares de sapatos!!!! Mas também não me indivído!!! Uso e amo tudoooooo que tenho !!!!!! Adorooooooooo sapatos !!!!!!!

  4. Caroline sua simpatia, alegria e brilho chamaram tanto a minha atenção que nunca reparei nas suas roupas. Isso só confirma sua teoria. Parabéns…e sucesso na sua jornada.

  5. eu sei o quanto é difícil viver constantemente com a opinião desde pequena com a opinião e aceitação dos outros a governar nossa vida!!!

  6. ????? É isso aí❣ Ser feliz e ter paz consigo mesmo é o que verdadeiramente importa nessa vida passageira. Família e amigos ❤ Parabéns a essa guerreira que a tempo conseguiu enxergar que a felicidade está em valorizar a família, os amigos e a si própria. Deus a abençoe e que ela chegue a tão sonhada vitória.

    ?

    Rubens

  7. Adorei o seu relato e sua decisão. Agora mesmo estou fazendo uma mala de 23kg para ir passar 26 dia no Europa, estou quase louca sem saber o que levar em tão pouco espaço. Depois de ler seu depoimento acabaram todos os meus problemas. ?

  8. Maravilhosa!!!! Isso aí mesmo!
    Não precisamos “ter” para “ser”.
    Infelizmente o consumismo desenfreado está afastando as pessoas de sua essência.
    Parabéns Caroline pela coragem de ser somente você mesma!!!
    Desde que a vi pela primeira vez, observei sua inteligência intelectual e agora confirmando sua inteligência emocional.
    Você é a mais Top das mulheres… É bela em todos os sentidos.
    Sou estudante de psicologia e quero que saiba: mulheres fortes e lindas deveriam seguir os seus passos.
    Grande beijo no seu coração.
    Obs.: continue de olho na “marvada” da ansiedade, ok?

  9. Maria edna Queiroz em

    Ela ta certisma pra que tantas coisas se somos apenas uma só, e deixe o povo falar o importante e que ela esta feliz , e sabendo economizar o seu dinheiro

  10. Show! É preciso mesmo ter ousadia e coragem pra agir na contramão do sistema materialista e consumista, e dizer: sinto paz! Não tenho só dois sapatos e 6 roupas, mas já diminui muito o que antes parecia ser essencial para mim, e não era. Não ser materialista faz dessas coisas. Nos dá paz!

  11. Maravilhosa, a realidade de uma mulher que se descobriu não apenas mulher, mas uma linda mulher!
    Somos o que somos , o que Deus nos fez pra ser e não o retrato de uma ideologia alheia que de tantos pintacos, se fez apenas deformação!
    Parabéns querida , paz e bem!

  12. Amei! Por um mundo menos consumista e mais feliz! Só é possível ser feliz de verdade quando as nossas atitudes externam o que realmente faz sentido pra nós.

  13. Nossa adorei o relato. Parabéns pela sua coragem de relatar e de tomar esta decisão em sua vida. Você está correta. É mais sadio gastar dinheiro viajando, passeando ao lado de quem ama e curtindo os amigos, porque tudo isso a gente leva no coração, mas as roupas só cabe uma no caixão. Parabéns linda e felicidades.

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